sábado, 25 de fevereiro de 2012

CONSUMO EMERGENTE


Que o Brasil é um país emergente, isto todo mundo sabe. O que alguns relutam em aceitar é que a classe C aumentou assustadoramente e com ela novas demandas de consumo. O mercado de luxo é uma realidade para a classe A não só aqui no Brasil como também no exterior. Um fenômeno interessante atualmente está acontecendo com a marca Tommy Hilfiger, cujas camisetas antes eram um artigo esportivo de luxo para um grupo seleto de pessoas. Mas com o aumento do poder aquisitivo dos brasileiros, que viajam cada vez mais para os Estados Unidos, os outlets da Florida se tornaram verdadeiras mecas de consumo. Hoje praticamente todo mundo tem um artigo da Tommy. Assim, ao mesmo tempo em que os executivos detentores da marca comemoram as vendas, deveriam também tomar cuidado, a fim de que não se repita o que aconteceu com a carioca Company ,na década de 80, quando houve uma verdadeira banalização da marca pelo uso excessivo de todos os segmentos da população. Artigos de luxo sobrevivem da exclusividade, quando se massificam perdem o encanto.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

EMDR


Quando li o livro O Demônio do Meio Dia, um verdadeiro tratado sobre Depressão, do jornalista Andrew Solomon, fiquei intrigado com um tratamento revolucionário chamado EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos Movimentos Oculares). Tratava-se de uma técnica americana realizada com estimulações bilaterais, criada no final da década de 80, altamente eficaz no tratamento de Transtorno do Estresse Pós-Traumático e também de outros transtornos da modernidade. Fiz uma busca na internet e o mais perto que encontrei foi o de workshops acontecendo na Argentina. Uns dois anos depois vi um anúncio de um workshop que iria ser realizado em São Paulo. Fiz minha inscrição e, por curiosidade, fui ver do que realmente se tratava. Para minha surpresa tivemos uma manhã de aporte teórico e à tarde já começamos logo a praticar a técnica. Fomos separados em trios: um seria o terapeuta, um o paciente e o outro observador, com papéis que se alternavam. Quando chegou minha vez de ser paciente fiquei na dúvida do que eu poderia tratar com EMDR, mas escolhi algo que há muito me atormentava: o medo de voar. Como sou instrutor da CAIXA, eventualmente aparecem cursos em outras capitais e cada vez, que eu recebia uma convocação para participar de um nivelamento ou ministrar um curso, logo começava a minha aflição, sempre acompanhada de dor de barriga. No dia da viagem, era sempre a mesma coisa, antes de sair de casa, banheiro, após fazer o check-in no aeroporto, banheiro, ao fazer uma conexão, banheiro, avião taxiando até atingir o nível de cruzeiro, muito sofrimento. Durante a utilização da técnica, ao escolher a cena alvo, dei-me conta de que havia tido uma experiência supertraumática originada em um voo com muita turbulência, feito de Fortaleza a Teresina, numa chuvosa véspera de Carnaval há anos atrás. A técnica foi aplicada por uma colega, mas eu não senti muita segurança nela. À noite, hospedado no mesmo hotel estava o outro colega que fazia parte do meu trio. Pedi a ele para refazer a técnica. Ele pegou o protocolo e o refez com maestria. Acabou o curso no domingo e no dia seguinte eu teria de retornar a Teresina. Achei estranho não sentir nada na véspera. No dia seguinte me dirigi ao aeroporto, fiz check-in e depois não precisei usar o banheiro, como de costume. Fiz o trecho de São Paulo a Brasília sem sentir nada. De Brasília a Teresina também não. Imaginei que tivesse sido um mecanismo de defesa para justificar o alto valor do curso, das passagens e hospedagem em São Paulo. Uns 15 dias depois, apareceu um curso para eu dar em Fortaleza. Fui e voltei sem sentir nada. Depois dei cursos em outros lugares e fiz voos para a Bariloche e Santiago. Absolutamente nada! Nenhum dos sintomas, que se manifestava em mim apareceu novamente, desde o EMDR feito em São Paulo. Depois disso fiz o Nível 2, uma pós em Neuropsicologia para melhor entender os mecanismos cerebrais, passei a aplicar em meus clientes, e a aprofundar os conhecimentos participando dos Congressos Brasileiros e Latino-americanos de EMDR.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VENCENDO O MEDO DE FALAR EM PÚBLICO


Falar em público é uma das habilidades mais requisitadas para quem quer ascender profissionalmente. Você precisa estar preparado para a qualquer momento apresentar um projeto, defender uma ideia, ou até mesmo para conduzir uma reunião. Mas, ainda é uma tarefa que inspira medo e pode ser decisiva para o sucesso de muitas pessoas.
O medo é um mecanismo natural de defesa que foi aperfeiçoado pelos seres humanos ao longo do tempo. Nos tempos primitivos, quando as pessoas viam um predador, fugiam com receio de serem devoradas. Com o passar do tempo e com as experiências vividas, o organismo foi aprendendo a se proteger para poder fugir com mais rapidez. Deparar-se com uma fera provocava medo, mas antes que começasse o movimento de fuga ocorria uma descarga de adrenalina, que aumentava a pressão sanguínea, fortalecendo os músculos para uma fuga mais rápida. Herdamos esse mecanismo de defesa, quando temos de falar em público, mas, infelizmente, não dá para fugir, mesmo aparecendo todos aqueles sintomas tão bem conhecidos por nós: pernas trêmulas, suor frio minando das mãos, o coração batendo aceleradamente, a voz enroscada na garganta e, para piorar, tudo o que havíamos nos programado para falar parece desaparecer de nossa mente quando estamos diante de uma plateia. Uma dica preciosa a toda pessoa que utiliza a oratória é não se assustar com o medo, porque ele só ajuda a alimentar mais nervosismo. O importante não é eliminá-lo, e sim transformá-lo numa energia positiva, tornando o discurso mais envolvente, pois há estudos que afirmam que as pessoas que nos assistem percebem apenas 30% da nossa aflição, ou seja, 70% de todo aquele turbilhão interno, que sentimos só é perceptível para nós mesmos. Identificar esse sentimento e controlá-lo é a melhor forma de impedir que ele atrapalhe o seu desenvolvimento profissional. Imagine como é que um projeto pode ser aprovado, se você estiver tremendo na hora de apresentá-lo? Será que algum cliente deixou de comprar porque você não estava confiante e seguro ao expor seu produto? Tenha certeza de que, cada vez que você evitar aparecer, alguém estará fazendo o contrário. As chances de seu concorrente conquistar mais espaço são inquestionáveis. Um dos fatores que contribuem para a insegurança e o decorrente medo ao falar é a falta de experiência. A melhor forma de superár a insegurança é enfrentar as situações da forma mais natural possível. Portanto pratique o máximo que você puder. Treine na frente do espelho, faça apresentações para os familiares, elabore perguntas na sala de aula, matricule-se num curso de oratória, procure um terapeuta. Uma outra dica é chegar com atencedência e andar pelo espaço onde você fará a apresentação para se familiarizar com o ambiente. Pessoas inexperientes costumam recusar convites, fugir de reuniões e adiar apresentações. Fogem de qualquer forma de exposição. Para mudar, encoraje-se, pois o seu sucesso dependerá somente de você. Lembrando, que, mesmo com muito treino, é bom ter em mente que mãos suadas e ansiedade são comuns - e inevitáveis - nos minutos que antecedem a uma apresentação. Esses sintomas acompanham os executivos mais experientes, os oradores mais hábeis e até artistas de muito sucesso. É preciso aprender a conviver com isso.