Quando li o livro O Demônio do Meio Dia, um verdadeiro tratado sobre Depressão, do jornalista Andrew Solomon, fiquei intrigado com um tratamento revolucionário chamado EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos Movimentos Oculares). Tratava-se de uma técnica americana realizada com estimulações bilaterais, criada no final da década de 80, altamente eficaz no tratamento de Transtorno do Estresse Pós-Traumático e também de outros transtornos da modernidade. Fiz uma busca na internet e o mais perto que encontrei foi o de workshops acontecendo na Argentina. Uns dois anos depois vi um anúncio de um workshop que iria ser realizado em São Paulo. Fiz minha inscrição e, por curiosidade, fui ver do que realmente se tratava. Para minha surpresa tivemos uma manhã de aporte teórico e à tarde já começamos logo a praticar a técnica. Fomos separados em trios: um seria o terapeuta, um o paciente e o outro observador, com papéis que se alternavam. Quando chegou minha vez de ser paciente fiquei na dúvida do que eu poderia tratar com EMDR, mas escolhi algo que há muito me atormentava: o medo de voar. Como sou instrutor da CAIXA, eventualmente aparecem cursos em outras capitais e cada vez, que eu recebia uma convocação para participar de um nivelamento ou ministrar um curso, logo começava a minha aflição, sempre acompanhada de dor de barriga. No dia da viagem, era sempre a mesma coisa, antes de sair de casa, banheiro, após fazer o check-in no aeroporto, banheiro, ao fazer uma conexão, banheiro, avião taxiando até atingir o nível de cruzeiro, muito sofrimento. Durante a utilização da técnica, ao escolher a cena alvo, dei-me conta de que havia tido uma experiência supertraumática originada em um voo com muita turbulência, feito de Fortaleza a Teresina, numa chuvosa véspera de Carnaval há anos atrás. A técnica foi aplicada por uma colega, mas eu não senti muita segurança nela. À noite, hospedado no mesmo hotel estava o outro colega que fazia parte do meu trio. Pedi a ele para refazer a técnica. Ele pegou o protocolo e o refez com maestria. Acabou o curso no domingo e no dia seguinte eu teria de retornar a Teresina. Achei estranho não sentir nada na véspera. No dia seguinte me dirigi ao aeroporto, fiz check-in e depois não precisei usar o banheiro, como de costume. Fiz o trecho de São Paulo a Brasília sem sentir nada. De Brasília a Teresina também não. Imaginei que tivesse sido um mecanismo de defesa para justificar o alto valor do curso, das passagens e hospedagem em São Paulo. Uns 15 dias depois, apareceu um curso para eu dar em Fortaleza. Fui e voltei sem sentir nada. Depois dei cursos em outros lugares e fiz voos para a Bariloche e Santiago. Absolutamente nada! Nenhum dos sintomas, que se manifestava em mim apareceu novamente, desde o EMDR feito em São Paulo. Depois disso fiz o Nível 2, uma pós em Neuropsicologia para melhor entender os mecanismos cerebrais, passei a aplicar em meus clientes, e a aprofundar os conhecimentos participando dos Congressos Brasileiros e Latino-americanos de EMDR.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
EMDR
Quando li o livro O Demônio do Meio Dia, um verdadeiro tratado sobre Depressão, do jornalista Andrew Solomon, fiquei intrigado com um tratamento revolucionário chamado EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento pelos Movimentos Oculares). Tratava-se de uma técnica americana realizada com estimulações bilaterais, criada no final da década de 80, altamente eficaz no tratamento de Transtorno do Estresse Pós-Traumático e também de outros transtornos da modernidade. Fiz uma busca na internet e o mais perto que encontrei foi o de workshops acontecendo na Argentina. Uns dois anos depois vi um anúncio de um workshop que iria ser realizado em São Paulo. Fiz minha inscrição e, por curiosidade, fui ver do que realmente se tratava. Para minha surpresa tivemos uma manhã de aporte teórico e à tarde já começamos logo a praticar a técnica. Fomos separados em trios: um seria o terapeuta, um o paciente e o outro observador, com papéis que se alternavam. Quando chegou minha vez de ser paciente fiquei na dúvida do que eu poderia tratar com EMDR, mas escolhi algo que há muito me atormentava: o medo de voar. Como sou instrutor da CAIXA, eventualmente aparecem cursos em outras capitais e cada vez, que eu recebia uma convocação para participar de um nivelamento ou ministrar um curso, logo começava a minha aflição, sempre acompanhada de dor de barriga. No dia da viagem, era sempre a mesma coisa, antes de sair de casa, banheiro, após fazer o check-in no aeroporto, banheiro, ao fazer uma conexão, banheiro, avião taxiando até atingir o nível de cruzeiro, muito sofrimento. Durante a utilização da técnica, ao escolher a cena alvo, dei-me conta de que havia tido uma experiência supertraumática originada em um voo com muita turbulência, feito de Fortaleza a Teresina, numa chuvosa véspera de Carnaval há anos atrás. A técnica foi aplicada por uma colega, mas eu não senti muita segurança nela. À noite, hospedado no mesmo hotel estava o outro colega que fazia parte do meu trio. Pedi a ele para refazer a técnica. Ele pegou o protocolo e o refez com maestria. Acabou o curso no domingo e no dia seguinte eu teria de retornar a Teresina. Achei estranho não sentir nada na véspera. No dia seguinte me dirigi ao aeroporto, fiz check-in e depois não precisei usar o banheiro, como de costume. Fiz o trecho de São Paulo a Brasília sem sentir nada. De Brasília a Teresina também não. Imaginei que tivesse sido um mecanismo de defesa para justificar o alto valor do curso, das passagens e hospedagem em São Paulo. Uns 15 dias depois, apareceu um curso para eu dar em Fortaleza. Fui e voltei sem sentir nada. Depois dei cursos em outros lugares e fiz voos para a Bariloche e Santiago. Absolutamente nada! Nenhum dos sintomas, que se manifestava em mim apareceu novamente, desde o EMDR feito em São Paulo. Depois disso fiz o Nível 2, uma pós em Neuropsicologia para melhor entender os mecanismos cerebrais, passei a aplicar em meus clientes, e a aprofundar os conhecimentos participando dos Congressos Brasileiros e Latino-americanos de EMDR.
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