sábado, 29 de maio de 2010

PLANEJAMENTO DE CARREIRA


Outro dia, fizeram-me uma pergunta, que me fez parar e refletir um bocado: “Qual o tamanho de seu sonho?” Isso dá margem a muitas fantasias e idealizações, pensei. Uma boa resposta para esta pergunta teria muito a ver com o que se espera efetivamente da carreira profissional. Sobretudo, porque você sabe que quem leva a carreira no piloto automático, corre o risco de não chegar a lugar nenhum.
Falar em planejamento de carreira é falar sobre ações intencionais e sistemáticas, que estão diretamente focadas em objetivos. Por esse motivo, você precisará tê-los muito bem definidos, assim como, estar consciente de onde você se encontra e aonde pretende chegar.
Ao definir o seu alvo, ficará muito mais fácil estabelecer ações para atingi-lo. Desse modo, faz-se necessário você identificar os seus pontos fortes e pontos fracos, esforçando-se, assim, para potencializar os pontos fortes e, pelo menos, neutralizar os fracos. Seja bastante realista, não se engane.
Descubra que traços de personalidade estão mais presentes em você. Você é uma pessoa mais extrovertida ou introvertida? É uma pessoa dinâmica e comunicativa ou tímida e ponderada? Usa mais a razão ou a emoção quando precisa decidir por algo? Gostaria de trabalhar diretamente com o público ou num ambiente mais reservado? Responder a estas perguntas, poderá lhe clarificar algumas coisas sobre você, podendo, inclusive, ajudar-lhe a lidar melhor com suas limitações.
É válido salientar, que muito mais importante do que saber o que você gostaria de ser, é saber o que fará durante oito horas de seu dia nos próximos trinta anos ou quarenta anos. Quarenta anos? Sim, é isso mesmo. Lembre-se de que a expectativa de vida está aumentando.
Você já parou para pensar como você gostaria de se vestir para ir trabalhar? De terno, de jeans, de bermuda, de tênis, ou de salto alto, no caso das mulheres? Tudo isso é muito importante termos em mente, quando idealizamos uma profissão.
É comum ouvir os jovens dizerem que gostariam muito de fazer Medicina, “porque médico ganha bem”. Na hora de optar por tal curso, no entanto, não consideram o fato de que, como médicos, terão de trabalhar muito, poderão vir a trabalhar em hospitais, com pessoas doentes, com aquele cheiro de enfermaria, tendo de conviver, quase que diariamente, com a dor e a miséria humanas. Tais ponderações deveriam ser feitas de vez em quando, sob pena de arrependimentos futuros.
Por estarmos vivendo numa época marcadamente dinâmica e cheia de novidades, o mundo atual exige das pessoas uma educação continuada, com atualizações constantes. Portanto, fique antenado. Faça cursos, participe de congressos, compre livros e revistas especializadas. Mantenha-se sempre bem informado e aberto a novas tecnologias.
Trabalhe o seu marketing pessoal. Esta é outra estratégia que merece ser dada uma atenção toda especial, pois cuidar do seu marketing pessoal nada mais é do que dar visibilidade às suas ações. É dar conhecimento às pessoas sobre o que você tem de bom e que poderá interessá-las.
Faça networking. É o mesmo que saber cultivar amizades. Quanto mais pessoas você conhecer, mais chances você terá de conseguir as coisas através delas. Não se esqueça de que as portas se abrem para nós, quando temos amigos.
Foi-se o tempo em que deixar a carreira à mercê dos pais ou da empresa era sinônimo de sucesso profissional. Atualmente, esta responsabilidade recai quase que totalmente sobre você. Portanto, aja com intencionalidade, identifique seus talentos e tire proveito deles. Boa sorte!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

ENDOMARKETING


Endomarketing é um conjunto de ações de marketing dirigidas para o público interno de uma organização. Este termo foi usado pela primeira vez, em 1995, por Saul Bekin, em seu livro Conversando sobre Endomarketing.
O endomarketing ou gestão do marketing interno tem por objetivo promover a integração dos colaboradores por meio da comunicação interna, criando, assim, uma sensação de co-propriedade sobre a empresa e, consequentemente, um maior comprometimento em busca dos resultados.
Ter um maior comprometimento é o que se chama de “vestir a camisa da empresa” e fazer com que alguém “vista a camisa da empresa” não é uma tarefa tão simples como parece.
A gestão do marketing interno precisa estar estrategicamente alinhado às ações de Recursos Humanos, Marketing e Operacionais, com o total apoio da Diretoria.
Para se consolidar os vínculos afetivos dos trabalhadores com a empresa, estão sendo criadas políticas de reconhecimento e valorização, bem como premiações de incentivo ao desempenho nas organizações modernas.
É comum as empresas distribuírem ao seu pessoal: agendas, calendários, canetas, camisetas e também custearem festinhas nas datas comemorativas. Da mesma forma, fazerem campanhas de incentivo com premiações de desempenho, que vão desde pequenos brindes, passando por bônus em dinheiro, até viagens internacionais com direito à acompanhante e com todas as despesas pagas.
No entanto, por mais bem elaboradas e vantajosas que sejam tais ações, elas não são suficientes para garantir que o colaborador “vista a camisa da empresa”. É preciso muito mais.
Cuidar das instalações da empresa e a da ergonomia é estar atento aos fatores tangíveis, que interferem principalmente no grau de satisfação das pessoas. Porém de nada vai adiantar trabalhar num ambiente moderno e bem iluminado se o trabalhador não perceber que ele está recebendo um salário justo.
É necessário perceber também justiça e transparência nas relações de trabalho principalmente nas possibilidades de ascensão profissional, com critérios claros para todos.
Diante de tudo isso, fica evidente que as ações de endomarketing podem interferir no clima organizacional, pois agem diretamente sobre as crenças e valores existentes na cultura da empresa.
Quanto mais o colaborador valoriza a empresa, mais comprometido e motivado ele se torna.
Convém atentar que não se faz endomarketing buscando tornar as pessoas menos sensíveis à variável salário, mas construindo vínculos mais sólidos entre a empresa e seu público interno, preferencialmente integrando-os à cadeia produtiva da qual a organização faz parte.

Publicado na Revista Mundo Empresarial - Teresina, 2009

quinta-feira, 27 de maio de 2010

NEUROMARKETING


Neuromarketing é um novo ramo do Marketing, que faz uso das recentes descobertas das Neurociências, monitorando as atividades das ondas cerebrais, dos movimentos oculares e das reações da pele para melhor entender a maneira como as pessoas reagem às propagandas e outras mensagens relacionadas às marcas.

Nos primeiros estudos de Neuromarketing, Read Montague, um neurocientista de Baylor College of Medicine, usou a ressonância magnética de imagem (fMRI) para estudar o que foi chamado de “Paradoxo Pepsi”. A pesquisa foi inspirada numa série de comerciais de TV dos anos 70 e 80, nos quais as pessoas eram solicitadas a fazer o “Desafio Pepsi”. No teste cego do comercial, a Pepsi saía sempre vencedora. Nesse estudo os sujeitos eram convidados a degustar Pepsi e Coca-Cola; porém, quando os sujeitos sabiam o que estavam bebendo, 75% diziam que preferiam Coca-Cola. Montague viu a atividade no córtex pré-frontal, indicando um maior processamento mental e concluiu que os sujeitos estavam associando a bebida a imagens e mensagens positivas da marca vistas anteriormente nos comerciais de Coca-Cola. Em outro estudo, na Daimler-Crysler, os pesquisadores descobriram que os “centros de recompensa” do cérebro masculino eram ativados por carros esportivos, de uma forma semelhante àquelas mesmas áreas do cérebro que respondiam ao álcool e às drogas.

Os resultados das pesquisas em Neuromarketing podem ser surpreendentes. No livro a Lógica do Consumo, Martin Lindstrom documenta três anos de estudos com as seguintes descobertas:
• Rótulos preventivos nos maços de cigarro estimulam a atividade nas áreas cerebrais relacionadas ao vício – apesar do fato dos fumantes dizerem que consideram os avisos eficazes no combate ao fumo.
• Imagens de marcas dominantes como a do iPod estimulam as mesmas partes do cérebro ativadas quando se veem símbolos religiosos.
Em 2007, um grupo de cientista de Carnegie Mellon , da Stanford University e do MIT Sloan School of Management puderam usar a ressonância magnética (fMRI) para estudar como o cérebro age enquanto fazemos uma decisão de compra. Ao observar como diferentes circuitos neurais se acendem ou se apagam durante os processos de compra, os pesquisadores descobriram que eles poderiam predizer se uma pessoa acabaria comprando um determinado produto.
Alguns ativistas anti-marketing alertam que o Neuromarketing poderá ser usado para manipular os consumidores ao brincar com seus temores ou estimulando reações positivas de bens e serviços sem muita preocupação com o aspecto ético do seu uso.
No entanto, não se deve esquecer de que as campanhas de Marketing feitas antes mesmos da ressonância magnética já buscavam despertar o desejo de compra nas pessoas.
Na qualidade de consumidores, quanto mais soubermos dos motivos que nos tornam presas dos truques e táticas dos anunciantes, maior será nossa chance de nos defender dele. E quanto mais as empresas souberem a respeito das nossas necessidades e desejos subconscientes, mais produtos úteis e significativos elas introduzirão no mercado.

Publicado na Revista Mundo Empresarial - Teresina

quarta-feira, 26 de maio de 2010

VINCULAÇÃO


Ao contrário do que se imagina, nem sempre a vinculação afetiva entre a mãe e o bebê acontece.
Pergunta-se, então, o que leva uma mãe a ter dificuldade em criar laços afetivos com seu filho?
Na realidade, a falta de vinculação pode ter várias causas, a começar pela gestação, quando numa gravidez problemática e causadora de muito desconforto para a mãe, é comum aparecer um sentimento de rejeição do bebê. Da mesma forma, quando a gravidez não foi planejada ou o casamento está em crise, não raro é atribuído inconscientemente à criança o papel de culpada pela situação. Outro fato que também pode funcionar como um dificultador na vinculação mãe e filho é a separação no pós-parto por motivo de saúde da mãe ou da própria criança. Esse distanciamento, mesmo por um curto espaço de tempo poderá comprometer a criação e o desenvolvimento de laços afetivos entre eles.
Pesquisas têm mostrado que o momento da amamentação é quando mais se intensifica a vinculação entre mãe e filho. Mesmo usando a mamadeira, a troca de olhares é imprescindível para fortalecer esse vínculo.
Na ausência de cuidados e proteção, a criança tende a crescer insegura e com dificuldade para se relacionar com outras pessoas. Por não receber carinho e atenção suficientes, torna-se mais trabalhosa, chorona e irritada, o que faz com que haja maior distanciamento e desapego por parte da mãe.
Em caso de gêmeos, a vinculação acontece de uma forma mais forte com apenas um dos filhos. O mesmo se verifica no caso de trigêmeos. É como se por mais que a mãe se esforce para gostar dos filhos da mesma forma, o apego recai mais sobre um dos filhos, que, reciprocamente, é mais dependente, atencioso e afetuoso.

terça-feira, 25 de maio de 2010

SEM COMUNICAÇÃO


A falta de diálogo entre pais e filhos é um fenômeno bastante preocupante hoje em dia. Parece que eles perderam totalmente a capacidade de se comunicar. É como se cada um falasse uma língua diferente e, por não conseguirem mais estabelecer um diálogo, acabam sempre discutindo.
Para evitar tais discussões, pais e filhos vão ficando cada vez mais distantes. Não compartilham mais os mesmos espaços da casa. Isolam-se em seus cômodos, verdadeiros mundinhos particulares munidos de i-pods, aparelhos de TV, computadores e videogames. Falam o estritamente essencial. Nem mesmo as refeições fazem mais juntos. Se não há comunicação, como é que os membros dessa família poderão criar vínculos afetivos? Será muito difícil, sem dúvida.
A agitação do dia-a-dia impede que as refeições sejam feitas em conjunto. Muitas vezes, os pais não vêm almoçar em casa, ou quando um deles vem, é para levar o filho ao colégio, que por sua vez já almoçou e já está atrasado. O trajeto de casa para a escola é feito em silêncio, pois o filho está ocupado, ouvindo os últimos hits em MP3.
Afinal de contas, em que momento há interação entre os membros dessa família?
Abre-se um abismo imenso toda vez que os pais dizem: “no meu tempo não era assim!!!” Isso só faz aumentar a distância existente entre as gerações.
Não tente entender a vida do jovem de hoje pela lógica de sua geração. É simplesmente impossível. São outros referenciais que estão em jogo. Trata-se mesmo de um novo tempo.
Abra-se ao novo. Isso não significa que você terá de se tatuar e colocar um piercing para estar em sintonia com o mundo atual. Basta aceitar que o mundo mudou. É uma nova realidade. Não perca o seu tempo se lamentando de que o mundo não é mais como era antes. Aprenda a viver o aqui-e-agora, pois as coisas não voltarão a ser como eram antes simplesmente porque você quer.
Será muito difícil entender o seu filho, se você não conseguir entender o mundo, no qual ele está inserido.
Vive-se na Modernidade Líquida, termo cunhado por Zygmunt Bauman para designar os tempos atuais, em que tudo é efêmero, da moda aos relacionamentos. Nada é feito para durar, tudo é descartável.
A relativização dos valores é outro traço bastante característico da contemporaneidade. Antigamente, aprendia-se o que era certo e o que era errado. Hoje, dependendo da situação, algo poderá ser certo ou errado. Essa ambigüidade vivida pelos jovens deixa os mais velhos completamente confusos.
Oportunize-se a reaprender a conversar com o seu filho. Conheça seus cantores favoritos. Descubra para que time ele torce. Evite fazer-lhe críticas e enalteça os seus pontos fortes, sejam eles quais forem. Sempre que tiver uma chance evidencie alguma qualidade que ele apresente. Pelo simples fato de fazer isso, você notará que a distância entre vocês começará a diminuir. De vez em quando, peça a opinião dele sobre qualquer assunto. Ouça-o sem criticá-lo. Agindo assim, a qualidade da relação de vocês tenderá a melhorar cada vez mais.
Com a experiência de vida que você tem, é muito mais fácil você ter o discernimento para procurar uma aproximação com o seu filho, do que ele com você. Permita-se poder compreendê-lo, pois se você não o fizer, talvez o traficante da esquina o faça com muito mais propriedade.

Publicado na Coluna Opinião - Jornal Meio Norte - Teresina, 13/06/2008

segunda-feira, 17 de maio de 2010

REPETÊNCIA


Repetir o ano letivo pode representar um grande recomeço na vida de uma pessoa, principalmente, quando se tratar de uma criança.
É muito difícil para os pais assimilarem bem essa idéia, mesmo porque as comparações com o desempenho dos coleguinhas e parentes são inevitáveis. Talvez esqueçam de que as pessoas são diferentes, não são iguais.
Deveria ser proibido reprovar uma criança por causa de um conteúdo específico. Ora, um conteúdo específico pode ser recuperado com relativa facilidade. Estar com nota vermelha em Matemática, mas com notas azuis em todas as outras, basta fazer um estudo direcionado para que se possa recuperar tal desvantagem.
No entanto, se o desempenho escolar deixa a desejar na maioria das disciplinas, encontra-se aí um déficit de base de aprendizagem, que poderá repercutir por toda a vida escolar do indivíduo. Nessa situação, o ideal mesmo é repetir o ano.
Entende-se que a reprovação escolar deve acontecer quando a capacidade geral de aprendizagem da criança está comprometida. Nesse caso, nem professor particular nem aumento de horas de estudo são suficientes para reverter a situação.
O mau desempenho não aparece de uma hora para outra. Observe, que pequenas dificuldades vão se acumulando até o ponto de incapacitar a criança de seguir adiante em seus estudos. É como se o seu poder de assimilação chegasse ao limite. Depois desse ponto, as coisas parecem não fazer mais sentido e, como conseqüência, ela vai se mostrando cada vez mais desinteressada nas aulas, deixa de fazer as tarefas e começa a criar resistência em ir para a escola.
A “preguiça” julgada pelos pais como fator determinante do fracasso escolar, geralmente, surge da desmotivação por não estar compreendendo bem aquilo que os outros facilmente entendem. É como se a criança desistisse de tentar entender os assuntos, pois à medida que avança o período letivo, mais e mais conteúdos são dados, sendo cada vez menor a sua compreensão das matérias. Por conseqüência, o seu autoconceito e a sua autoestima vão sendo afetados negativamente, de um jeito que ela começa a se sentir menos capaz, menos inteligente e inferior aos colegas.
Entretanto, não se deve negar que existem crianças com ritmos de aprendizagem mais lentos, algumas delas, inclusive, precisando de escolas especializadas, com métodos apropriados e professores capacitados.
Não é de estranhar que a primeira reação dos pais com a constatação de notas vermelhas no boletim é o castigo. Eles começam a cortar o vídeo game, o computador, as idas ao shopping e coisas desse tipo. Geralmente, culpam a metodologia da escola ou a incompetência dos professores pelo fracasso escolar dos filhos. Não raro, o pai tende a culpar também a mãe pelo fracasso da criança, uma vez que ela é a principal responsável pela educação dos filhos, principalmente, na pré-escola e no ensino fundamental.
Ficar procurando culpados não ajuda em nada, é negar o fato de que o problema pode estar mesmo é na criança.
É duro admitir isso, mas em muitos casos a criança possui um desenvolvimento maturacional inferior àquele das crianças de sua faixa etária. Que mal há em ser um pouco imatura? A repetência nesse caso poderá fazer toda a diferença na vida dessa criança.
Tirar o filho do colégio talvez não seja a melhor alternativa, pois boa parte da rede de relacionamentos dele se encontra lá. Ao repetir o ano na mesma escola, a criança irá aumentar o seu círculo de amizades, mantendo as já existentes e fazendo novos amigos na nova sala.
Trocar de escola pode ser um recomeço difícil, já que tudo é novo: espaços, regras, professores, colegas; enfim, toda essa novidade pode vir a prejudicar mais do que ajudar, dificultando mais ainda o aprendizado da criança.
É preciso desmistificar a reprovação escolar e entender que quando um aluno repete um ano, não significa que ele perdeu um ano por completo. Certamente, alguma coisa do que ele viu deve ter ficado. E o que ficou servirá de base para estruturar, de uma forma mais sólida, os assuntos a serem revistos.
Emocionalmente mais maduro, o aluno assimilará os conteúdos de uma maneira mais fácil e mais prazerosa, sem precisar de tanto esforço. Deixará de ser um aluno de desempenho medíocre para ser um aluno de resultados positivos.
Às vezes, retroceder poderá impulsionar um salto muito maior à frente.