
Repetir o ano letivo pode representar um grande recomeço na vida de uma pessoa, principalmente, quando se tratar de uma criança.
É muito difícil para os pais assimilarem bem essa idéia, mesmo porque as comparações com o desempenho dos coleguinhas e parentes são inevitáveis. Talvez esqueçam de que as pessoas são diferentes, não são iguais.
Deveria ser proibido reprovar uma criança por causa de um conteúdo específico. Ora, um conteúdo específico pode ser recuperado com relativa facilidade. Estar com nota vermelha em Matemática, mas com notas azuis em todas as outras, basta fazer um estudo direcionado para que se possa recuperar tal desvantagem.
No entanto, se o desempenho escolar deixa a desejar na maioria das disciplinas, encontra-se aí um déficit de base de aprendizagem, que poderá repercutir por toda a vida escolar do indivíduo. Nessa situação, o ideal mesmo é repetir o ano.
Entende-se que a reprovação escolar deve acontecer quando a capacidade geral de aprendizagem da criança está comprometida. Nesse caso, nem professor particular nem aumento de horas de estudo são suficientes para reverter a situação.
O mau desempenho não aparece de uma hora para outra. Observe, que pequenas dificuldades vão se acumulando até o ponto de incapacitar a criança de seguir adiante em seus estudos. É como se o seu poder de assimilação chegasse ao limite. Depois desse ponto, as coisas parecem não fazer mais sentido e, como conseqüência, ela vai se mostrando cada vez mais desinteressada nas aulas, deixa de fazer as tarefas e começa a criar resistência em ir para a escola.
A “preguiça” julgada pelos pais como fator determinante do fracasso escolar, geralmente, surge da desmotivação por não estar compreendendo bem aquilo que os outros facilmente entendem. É como se a criança desistisse de tentar entender os assuntos, pois à medida que avança o período letivo, mais e mais conteúdos são dados, sendo cada vez menor a sua compreensão das matérias. Por conseqüência, o seu autoconceito e a sua autoestima vão sendo afetados negativamente, de um jeito que ela começa a se sentir menos capaz, menos inteligente e inferior aos colegas.
Entretanto, não se deve negar que existem crianças com ritmos de aprendizagem mais lentos, algumas delas, inclusive, precisando de escolas especializadas, com métodos apropriados e professores capacitados.
Não é de estranhar que a primeira reação dos pais com a constatação de notas vermelhas no boletim é o castigo. Eles começam a cortar o vídeo game, o computador, as idas ao shopping e coisas desse tipo. Geralmente, culpam a metodologia da escola ou a incompetência dos professores pelo fracasso escolar dos filhos. Não raro, o pai tende a culpar também a mãe pelo fracasso da criança, uma vez que ela é a principal responsável pela educação dos filhos, principalmente, na pré-escola e no ensino fundamental.
Ficar procurando culpados não ajuda em nada, é negar o fato de que o problema pode estar mesmo é na criança.
É duro admitir isso, mas em muitos casos a criança possui um desenvolvimento maturacional inferior àquele das crianças de sua faixa etária. Que mal há em ser um pouco imatura? A repetência nesse caso poderá fazer toda a diferença na vida dessa criança.
Tirar o filho do colégio talvez não seja a melhor alternativa, pois boa parte da rede de relacionamentos dele se encontra lá. Ao repetir o ano na mesma escola, a criança irá aumentar o seu círculo de amizades, mantendo as já existentes e fazendo novos amigos na nova sala.
Trocar de escola pode ser um recomeço difícil, já que tudo é novo: espaços, regras, professores, colegas; enfim, toda essa novidade pode vir a prejudicar mais do que ajudar, dificultando mais ainda o aprendizado da criança.
É preciso desmistificar a reprovação escolar e entender que quando um aluno repete um ano, não significa que ele perdeu um ano por completo. Certamente, alguma coisa do que ele viu deve ter ficado. E o que ficou servirá de base para estruturar, de uma forma mais sólida, os assuntos a serem revistos.
Emocionalmente mais maduro, o aluno assimilará os conteúdos de uma maneira mais fácil e mais prazerosa, sem precisar de tanto esforço. Deixará de ser um aluno de desempenho medíocre para ser um aluno de resultados positivos.
Às vezes, retroceder poderá impulsionar um salto muito maior à frente.
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