As sucessivas armações que o vilão Léo vem fazendo, desde o início da novela Insensato Coração, refletem exatamente um quadro típico de Transtorno de Personalidade Antissocial. Trata-se de um comportamento delinqüencial, com início na infância e adolescência e que se caracteriza por um padrão repetitivo de conduta antissocial, agressiva e desafiadora, cujo sintoma mais marcante é uma forte inclinação ao delito.
A pessoa que apresenta este transtorno, ao fazer uma maldade, não consegue sentir culpa ou remorso. Não raro acusa os colegas e tenta culpar qualquer outra pessoa ou circunstância por suas eventuais más ações. A baixa tolerância a frustrações causa crises de irritabilidade, explosões temperamentais e agressividade exagerada. Outra característica no comportamento do portador de Transtorno de Personalidade Antissocial é a crueldade com outras pessoas e/ou com animais.
É válido salientar que o Transtorno de Conduta é um diagnóstico especialmente infantil ou da adolescência, pois, depois dos 18 anos, persistindo os sintomas básicos (contravenção), o diagnóstico deve ser alterado para Transtorno da Personalidade Antissocial.
Este padrão sociopático de comportamento costuma estar presente em todos os contextos sociais que o indivíduo freqüenta, quer seja na escola, no lar, ou na rua. Age com intencionalidade na busca de causar sérios danos ou destruição da propriedade alheia com incêndios, quebrando vidros de automóveis e praticando atos de vandalismo por onde anda.
Por serem indivíduos extremamente manipuladores, aprendem que a expressão de culpa pode reduzir ou evitar punições, assim, não titubeiam em demonstrar remorso sempre que isso resultar em benefício próprio.
Comportamentos menos severos (por ex., mentir, furtar em lojas, entrar em lutas corporais) tendem a emergir primeiro, enquanto outros (por ex., roubo, estupro...) tendem a se manifestar mais tarde.
Não está estabelecida ainda uma causa única para este tipo de transtorno, mas se acredita que seja em decorrência da integração entre características individuais e forças ambientais. Certamente devem influenciar as atitudes e comportamentos familiares, assim como a exclusão sócio-econômica, a má distribuição de renda, a inversão dos valores, a desestrutura familiar, dentre outros fatores.
Os tratamentos citados na literatura são bastante variados, incluindo intervenções junto à família e à escola (por exemplo, psicoterapia familiar e individual, orientação de pais, comunidades terapêuticas e treinamento de pais e professores em técnicas comportamentais).
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